Pesquisa

Os efeitos do isolamento social na dinâmica do trabalho

Cerca de 56% afirmaram que suas empresas já possuíam políticas para trabalho remoto para seus colaboradores

Na intenção de investigar as consequências do isolamento social e o aumento da prática de home office e do trabalho remoto na vida dos profissionais brasileiros, a Robert Walters, consultoria multinacional europeia de recrutamento e seleção, realizou uma pesquisa com 260 profissionais. Foram dois conjuntos de profissionais pesquisados, um deles, formado por 80 pessoas, considerava apenas profissionais que atualmente ocupam posições de nível diretivo. O segundo conjunto, formado por profissionais em posições de média e alta gerência.

  • 82% dos profissionais de gerência média e alta já tinham experiência com trabalho remoto
  • 18% deles dizem não possuir as mesmas tecnologias que o escritório físico
  • 79% de todos os entrevistados veem mais vantagens ao trabalhar em casa do que trabalhar no escritório
  • 43% afirmam ser a primeira vez em que trabalham remotamente
  • 58%   dos profissionais de gerência média e alta acreditam que produzem mais ao trabalhar de casa
  • 50% de todos os entrevistados consideram essa experiência psicologicamente positiva
  • 60%   trabalham mais horas que o normal ao trabalharem de casa
  • 66%   dos profissionais de nível diretivo acreditam que essa experiência trará uma transformação no modelo de trabalho de suas empresas

Do total de profissionais pesquisados, cerca de 56% afirmaram que suas empresas já possuíam políticas para trabalho remoto para seus colaboradores.

Cerca de 70% dos profissionais de nível diretivo já tinha tido a experiência em trabalhar remotamente em comparação com 83% profissionais em posições de gerência média e alta.

67% dos profissionais em nível diretivo enxergam mais vantagens do que desvantagens em trabalhar remotamente. Este número sobe para quase 80% na opinião dos demais profissionais pesquisados.

Em números aproximados, 58% dos profissionais de gerência média e alta acreditam que produzem mais ao trabalhar de casa, 30% acreditam que a produtividade é a mesma e 12% entendem que a produtividade é menor.

Para os profissionais em nível diretivo, o entendimento sobre a produtividade trabalhando remotamente é a seguinte: 52% acreditam que a produtividade é maior, 26% que é a mesma e 22% acreditam que é menor.

Com relação ao aspecto da produtividade, depoimentos dos entrevistados justificam a percepção de maior produtividade em função de haver menos distrações e maior foco, mais tempo para se dedicar às suas tarefas e maior motivação.

Entre os relatos sobre as razões que levam a uma menor produtividade estão a dificuldade em focar nas tarefas profissionais, não ter um gestor por perto e a falta de contato com o resto do time.

Quanto ao tempo dedicado ao trabalho, 64% dos diretores entendem que trabalham mais horas em casa do que no escritório. 60% dos profissionais em posições de gerência média e alta também entendem que trabalham mais tempo em casa.

A pesquisa procurou saber a opinião dos entrevistados com relação à qualidade das ferramentas de trabalho.

  • 18% dos profissionais de nível diretivo afirmam que não têm acesso as mesmas ferramentas que possuem no escritório. Este número sobe para 22% na opinião dos demais profissionais.
  • Aproximadamente 95% de todos os profissionais consultados classificam a conexão de internet em suas casas como boa ou muito boa.

Com relação à frequência da comunicação entre os integrantes dos times, o levantamento traz a informação de que 75% dos profissionais em nível diretivo conversam com seu time ou superior todos os dias, 22% conversam de duas a três vezes por semana e 3% conversam uma vez na semana.

Para os profissionais em posições de gerência média e alta, os números são parecidos: 71% afirmam que conversam com seu time ou superior todos os dias, 25% conversam de duas a três vezes por semana e 4% conversam uma vez na semana.

A pesquisa procurou saber como, em termos psicológicos, os profissionais classificam essa experiência.

  • 42% dos profissionais em nível de direção consideram essa experiência psicologicamente positiva, 37% neutro e 21% classificam a experiência como psicologicamente negativa.
  • Na opinião dos demais profissionais, estes números variam da seguinte forma: 50% entendem a experiência como positiva, 34% como neutra e 16% como negativa.

Dentre os motivos apontados pelas pessoas pesquisadas, destacam-se entre os aspectos psicologicamente positivos, a possibilidade de passar mais tempo com a família e de aplicar o tempo gasto no deslocamento casa-escritório-casa em atividades mais prazerosas, como a prática de esportes, a leitura de um livro ou a participação em atividades de desenvolvimento, como webinars e cursos à distância.

Dentre os motivos que atuam negativamente em termos psicológicos, os participantes citaram a falta do contato pessoal, o fato de não ter uma rotina e a desmotivação no trabalho.

“A experiência pela qual estamos passando tende a deixar alterações permanentes em alguns aspectos da dinâmica de trabalho sobre a qual a maioria dos profissionais estava habituada. É natural esperar que o trabalho remoto passe a ser ainda mais difundido à medida em que se prova confiável para um conjunto mais amplo de profissionais e funções. Chama a atenção o índice alto de percepção negativa sobre os impactos psicológicos do isolamento, uma vez que este período ainda pode ser alongar significativamente. A pesquisa aponta que a atenção e o cuidado com a saúde mental sobretudo neste momento, deve ser uma prioridade para as empresas e para os indivíduos.”, acredita Leonardo de Souza, Country Manager Brasil da Robert Walters.

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