Opinião

Os impactos da cultura da comunicação não violenta

A ideia de empatia trazida pela CNV também pode resultar em produtos e serviços muito mais afinados com a necessidade do mercado

Talvez você já tenha ouvido falar que problemas complexos se resolvem com soluções simples. Quando o assunto é gerenciamento de equipe essa frase faz bastante sentido, afinal, quer desafio mais complexo do gerir e desenvolver pessoas? E, sim, a solução pode ser muito mais simples do que se imagina, quando entendemos o que há por trás do comportamento dos outros e enxergamos suas necessidades.

Se você já leu algo sobre Comunicação Não Violenta (CNV) vai perceber que estou falando justamente sobre os seus princípios. A abordagem criada pelo psicólogo Marshall Rosenberg ganhou os ambientes corporativos, porque ela resolve o problema de relacionamento entre pessoas com a solução mais simples que já foi inventada: a comunicação “desarmada” e cujo principal objetivo é a conexão com o outro.

É que no dia a dia somos rápidos para julgar os “porquês” de o outro ser como é. E fazemos isso com base em nossa própria bagagem, sem sequer permitir que o outro diga o que sente ou do que precisa. Ao explicar sua teoria, Marshall Rosenberg afirma que “por trás de todo comportamento existe uma necessidade” e, por isso, precisamos entender qual anseio está escondido em determinadas práticas do outro.

Agora, imagine se essa abordagem é implantada como cultura no ambiente corporativo? O cenário é de um grupo de colegas de trabalho convivendo todos os dias, dividindo os desafios das tarefas e até grandes demandas. Se há disposição de um para simplesmente enxergar o outro, então teremos ambientes muito mais harmoniosos. Se o colaborador tem a tranquilidade de que vai encontrar acolhimento no outro, então haverá ganho de saúde mental e, automaticamente, de produtividade.

Um ambiente de trabalho marcado pela comunicação desarmada também será mais aberto à inovação. Pense bem: se não há receio por parte da equipe em se manifestar, se as pessoas podem conversar de forma transparente sem medo de serem expostas a constrangimentos, então não há travas para as ideias. Pessoas saudáveis mentalmente em ambientes propícios são ricas fontes de criatividade e disrupção.

A ideia de empatia trazida pela CNV também pode resultar em produtos e serviços muito mais afinados com a necessidade do mercado. E o motivo é fácil de entender: se você tem colaboradores que não são capazes de se conectar ao outro, eles também não serão capazes de alcançar o seu cliente. Pessoas que se importam e “pensam com a cabeça do outro” têm mais chances de produzir soluções eficientes e que atendem às mais diferentes necessidades do mercado.

Percebe o poder da comunicação que prioriza a conexão com o outro? Estamos falando de resultados que são perseguidos por qualquer gestor, como colaboradores mais felizes e produtivos ou, ainda, ambientes harmoniosos e inovadores. No final das contas, não há política de retenção de talentos mais efetiva ou teoria de gerenciamento de equipes mais assertiva do que colaboradores conectados. Não é mais simples do que você imaginava?

Por Daniel Palis,  sócio fundador da Calina, agência de marketing digital especializada em pequenos e médios investimentos composta integralmente por engenheiros


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