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Para diversidade não basta contratação, a cultura é fundamental

Gerar conexões com pessoas diferentes gera não só novas oportunidades de conhecimento, mas também um leque de novas ideias e possibilidades para o negócio

Vivemos em uma sociedade desigual e as empresas têm um papel importante em atuar como agentes de mudança dessa realidade. O primeiro passo para dar início à transformação é reconhecer que a pluralidade do nosso país precisa estar cada vez mais representada nos times e equipes das companhias.

A diversidade é um tema presente na pauta das empresas e é um desafio para as áreas de gestão. Além de desenvolver novas ferramentas e técnicas de contratação que tragam profissionais com diferentes realidades para as organizações, é preciso ter em mente que a pluralidade jamais será alcançada se o ambiente e a cultura não proporcionarem a inclusão e promoverem a importância da diversidade de ideias e vivências.

Esses dois tópicos – cultura e ambiente – são fatores fundamentais para que as organizações tenham mais diversidade, consigam acolher melhor os colaboradores e que contribuam para o desenvolvimento das pessoas, que precisam ser mais preparadas para ter essa verdadeira inclusão.

Se a empresa não oferece uma relação mais humanizada, um ambiente mais leve, muitas vezes é exigido dos colaboradores apenas resultados, sem considerar as suas necessidades como indivíduo. É importante que, uma vez disposta a contratar profissionais com perfis diversos, sejam mulheres, negros ou pessoas com deficiência, a organização entenda os desafios de cada um de seus funcionários e que traga mais flexibilidade para o ambiente de trabalho.

Aqui é importante reforçar que essas medidas não excluem o fato do comprometimento do colaborador para realização do seu trabalho. O importante é que haja alternativas para que ele se adapte e consiga encontrar o equilíbrio entre sua vida pessoal e profissional e não que as duas compitam entre si. É dessa forma que os colaboradores sentirão mais acolhidos e tratados de maneira mais humanizada.

A diversidade também abre a possibilidade para a empatia. Com um time com realidades plurais há espaço para que a posição do outro seja entendida por alguém que também já viveu ou compartilha daquele mesmo desafio. Quando você está na empresa com um time muito igual, entender o papel e o contexto do outro se torna algo longe e difícil de ser compreendido. Por isso, as relações são tão importantes no ambiente corporativo.

O livro “O Jeito Harvard de ser feliz”, de Shawn Achor, reforça bem esse aspecto. O autor conclui, depois de anos de pesquisa, que a felicidade corporativa está ligada às relações. E para mim, as conexões estão muito atreladas à diversidade. Com colaboradores diversos, conseguimos estar muito mais abertos para ouvir, conhecer novas pessoas e realidades.

Esse é um ponto que também é fundamental para os profissionais da área de gestão de pessoas: ajudar na construção de uma empresa relacional. Dessa maneira, há oportunidades para se replicar diferentes ideias, maneiras e vivências dentro da companhia, transformando-a em um ambiente com uma cultura inclusiva e aberta para todos os perfis de funcionários.

Gerar conexões com pessoas diferentes gera não só novas oportunidades de conhecimento, mas também um leque de novas ideias e possibilidades para o negócio. Por isso, digo que a diversidade não é apenas para trazer bem-estar e promover um ambiente harmonioso na empresa, ela é essencial para o sucesso da companhia.

Não podemos esquecer que as empresas também precisam dar lucro e que as metas precisam ser atingidas. Com certeza um ambiente leve, diverso, inclusivo, com uma cultura alinhada aos valores das pessoas e com respeito, faz com que os colaboradores deem o seu melhor no trabalho e, consequentemente, tragam melhores resultados.

Pessoas felizes são mais produtivas e uma pesquisa da Universidade da Califórnia reforça essa hipótese. Segundo o estudo, realizado em 2019, um funcionário feliz é, em média, 31% mais produtivo, além de ser mais criativo e vender mais.

Com isso, fica claro que o discurso não vale só por ele mesmo, é preciso colocar em prática e aceitar o desafio de ter uma empresa composta por pessoas que representem as inúmeras vivências que temos no nosso país. Não é simplesmente ter um discurso mais humano, é acreditar que pessoas mais felizes trazem melhores resultados, doam seu máximo e se vinculam cada vez mais à empresa.

O objetivo da diversidade é ter um universo de realidades que se respeitam e se acolhem dentro de uma empresa e que permeiam o desenvolvimento e as conquistas de cada um. Para, dessa forma, haver uma companhia gerando resultados, bons negócios e, claro, conexões diversas.

Por Ana Paula Tarcia, diretora de Pessoas e Cultura no banco BV

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