Gestão

Por que o comportamento dos líderes precisa mudar?

Por décadas a figura ideal de um líder de sucesso foi o de uma pessoa que trabalha 18 horas por dia na maioria dos dias do ano

Não é comum a relação entre as palavras líder e equilíbrio. O único conceito que “aproximou” essas duas palavras foi o de inteligência emocional, mas ainda assim não no seu sentido mais amplo e adequado.

Por décadas a figura ideal de um líder de sucesso foi o de uma pessoa que trabalha 18 horas por dia na maioria dos dias do ano, tem hábitos alimentares que dariam inveja ao Garfield, coloca a própria a família em segundo plano, usa toda a sua saúde para crescer na carreira e ter um bom plano de assistência médica (pois sabe que em breve vai precisar de um muito bom), não tem tempo nem para uma simples caminhada, e não faz ideia do que seja autoconhecimento.

Esses líderes “ideais” são agora clientes VIP dos melhores hospitais e clínicas psiquiátricas, vivendo a base de remédios e cada vez mais frustrados em suas altas posições se perguntando secretamente o motivo de não estarem satisfeitos mesmo tendo obtido tanto sucesso na carreira.

Acontece que ninguém nunca contou para esses profissionais algo muito elementar e inerente a todos os seres humanos; independente das nossas crenças, todos nós somos constituídos por três pilares básicos: físico, mental e espiritual.

Nosso corpo físico é um sistema que aprendemos a sabotar desde a mais tenra infância sob o apoio e influência dos nossos próprios pais, que apenas repetem comportamentos aprendidos em um ciclo vicioso sem fim. A escolha por se alimentar de produtos processados aliada ao estilo de vida sedentário tem levado cada vez mais pessoas a um último terço da vida triste, muitas vezes desejando já ter partido muito tempo antes.

Já a nossa mente ainda hoje é um dos assuntos mais estudados pela ciência devido à grande falta de entendimento sobre como ela funciona. O resultado desse desconhecimento é um descontrole de funções muito poderosas, como a memória e a imaginação, que podem, se bem usadas, nos levar a conquistas inimagináveis ou a doenças como a depressão ou síndrome do pânico.

Entender como a sua mente e a mente dos seus liderados funciona é uma das principais habilidades de um líder verdadeiramente completo, o líder do futuro! Mas isso, infelizmente, não é algo que nos ensinam na escola, nem na faculdade e nem no MBA. Como uma pessoa pode controlar uma habilidade que não tem ideia de como funciona? E pior ainda, como essa mesma pessoa pode liderar centenas, por vezes milhares de pessoas sem ter controle da sua própria mente?

O último pilar que compõe todas as pessoas e, consequentemente, todos os líderes, é o espiritual. Na maioria das vezes, ele passa bem longe de qualquer aspecto religioso e é altamente subestimado ou até sufocado propositalmente. Pessoas com um alto QE (quociente espiritual) são pessoas que priorizam a prática do autoconhecimento, são conduzidas por valores e ideais, usam a adversidade como uma ponte para crescer, pois as observam como oportunidade, e conseguem deslocar a sua própria visão e colocá-la em uma outra perspectiva ao olhar para uma determinada situação. O respeito e o acolhimento pela diversidade sequer é uma questão para elas, são curiosas e tem insights que nos levam à aquela famosa pergunta: como ninguém pensou nisso antes?

Por outro lado, as demais pessoas olham para eles e têm as seguintes reações: “o que posso fazer para conseguir moldar aquela pessoa?”; “ela tem algo diferente que não sei bem o que é.”; “essa pessoa ilumina o ambiente quando chega.”; “essa pessoa tem um olhar diferenciado”.

Estamos em um processo constante de evolução e caminhamos para um momento em que o líder ideal será alguém que busca continuamente o equilíbrio entre esses três pilares, pois já aprendeu que sem equilíbrio o caminho leva a extremos que de um lado e de outro não traz satisfação, realização e o sentimento de propósito que tanto buscamos em nossas vidas.

Por Zenaldo Magalhães – diretor de Operações na Concentrix Brasil, companhia global especializada em outsourcing e em prestação de serviços.

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