Boas práticas

Propósito é essencial para engajar no segmento de impacto

Mas nem só de propósito vive um profissional e uma empresa

Em tempos de pandemia, manter empregos e abrir vagas tem sido um oásis no meio do deserto da crise econômica que se intensificou no Brasil nesse último ano. Um dos setores que vem se mostrando interessante e cheio de oportunidades para os profissionais é o segmento de negócios de impacto. Tomando a Rise Ventures como exemplo: enquanto o FGV Ibre prevê uma taxa de desemprego de 16% em 2021, nossas três investidas abriram 92 vagas em 2020, o que resultou em um crescimento de 32% do número de pessoas no ecossistema (Rise e investidas do portfólio) em relação ao ano anterior.

Ter a possibilidade de abrir vagas e gerar novos postos de trabalho é um primeiro passo para enfrentar este novo cenário. É preciso também atrair profissionais com o perfil correto e saber engajar essas pessoas para que elas sintam-se estimuladas a contribuir para o crescimento desses negócios, além de se manterem no time da empresa. Com o amadurecimento do ESG no Brasil nesses últimos dois anos, que se desdobrou no surgimento de novos negócios no mercado de impacto, vimos que aumentaram postos de trabalho nessa área, assim como o número de profissionais buscando um propósito verdadeiro (em suas funções ou nas empresas com as quais trabalham).

Cada vez mais, os profissionais estão se conscientizando de que querem contribuir para a construção de uma sociedade melhor por meio do trabalho; além disso, que gerar retorno financeiro e retorno para o investidor não são uma dicotomia; um não exclui o outro. Existe o desejo de ver o seu trabalho fazendo a diferença na vida das pessoas ou no meio ambiente. E existem, também cada vez mais, empregos com essa visão.

Encontrar profissionais com histórico compatível com a necessidade das vagas (especialmente quando a busca é um perfil sênior) e alinhamento comportamental não é tão simples. Na Rise, percebemos um aumento de 130% no número de candidaturas nas vagas do ecossistema de impacto. Mas para que ocorra um match entre candidato e vaga é necessário que as vivências acadêmicas e/ou profissionais estejam alinhadas com a cultura e competências priorizadas para cada cargo.

Empresas e candidatos precisam mostrar seu real interesse com o tema impacto por meio de um propósito verdadeiro. Sem demagogia e ESGwashing. Esse mercado ainda está engatinhando e começando movimentos de transformação, mas, em breve, a empresa que não buscar ativamente incluir impacto na sua estratégia corporativa terá cada vez mais dificuldade em atrair e engajar bons profissionais. Assim como profissionais que tentarem passar uma falsa imagem de engajamento com o tema também podem ter dificuldades de sustentar o discurso por muito tempo.

Na área de People da Rise, engajamos as pessoas por meio de alguns pilares: geração de valor, aprendizado com autonomia, fomento e manutenção de cultura de desenvolvimento contínuo e visibilidade para o propósito com incentivo de longo prazo. O propósito verdadeiro na cultura da Rise é muito vívido. Assim como em todas as empresas que atuamos, o impacto positivo está no produto ou serviço entregue para o cliente. Então, torna-se simples entender como as atividades do dia a dia da empresa se conectam com o crescimento de cada uma das investidas.

Mais do que propósito

O propósito e a clara percepção dele no dia a dia podem contribuir para atrair profissionais que buscam esse objetivo na sua carreira, mas é preciso mais para que essas pessoas continuem na empresa de maneira produtiva e contributiva. A grande maioria dos negócios de impacto ainda é formada por empresas de pequeno e médio porte e, em alguns cargos, não é possível disputar em pé de igualdade com as grandes companhias.

Na Rise, a empresa adota diferentes estratégias de benefícios e remunerações de acordo com o perfil: para os cargos de entrada, praticam remuneração compatível com o mercado. Já para posições de média e alta gerência, oferecemos remuneração e incentivos de curto prazo combinados com stock-options. No mercado, os incentivos de longo prazo para atrair e reter este profissional, também podem ser compostos por ações restritas, performance shares, matching shares, phantom stocks entre outros. Adicionalmente, outro diferencial importante na Rise é o investimento em autocuidado na equipe. Um dos benefícios é utilizado exclusivamente para manter o bem-estar físico e mental, de acordo com a necessidade de cada indivíduo. Alguns dos exemplos oferecidos incluem academia, esportes, terapia, cursos não relacionados à atividade laboral, meditação, massagens.

Independente de benefícios, plano de carreira e propósito, é importante dizer que existem diferentes perfis de profissionais, que se encaixam nos mais diversos cenários. Vale ressaltar que não há certo e nem errado, melhor ou pior, mas sim, vivências e formas de interação distintas. Para trabalhar em empresas pequenas, é importante que o profissional tenha um perfil empreendedor, goste e busque, em suas vivências, construir o caminho quando este não está claro e esteja confortável em errar e aprender com o erro. Aqui na Rise, até o momento, nosso time foi atraído tanto pelo interesse em nosso modelo de negócio, pelo plano de carreira quanto pelo desafio de construir um ecossistema.

Para garantir o crescimento sustentável, acredito que os negócios e empresas de impacto precisam contar com pessoas que, além de ter clareza do propósito, estão de fato engajadas e comprometidas com o negócio. Para isso, é importante que haja clareza sobre como cada pessoa deve contribuir para o crescimento do negócio; avaliações de desempenho justas; garantir remuneração de curto e longo prazo alinhada com o plano de desenvolvimento profissional e pessoal de cada pessoa na equipe.

Por Vanessa Reis, Chief People Officer da Rise Ventures

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