Gestão

RH: A nova perspectiva do planejamento

Lideranças devem acompanhar de perto a incerteza dos cenários e ter velocidade para fazer frente às necessidades de mudança ou adaptações do que foi planejado

Planejar 2021 foi e está sendo extremamente desafiador, pois a função tradicional de analisar cenários, estabelecer objetivos e metas, além de definir iniciativas para colocar a estratégia em ação, precisou ser desconstruída. Com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), ficou evidente que eventos ocorridos na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos, logo chegam por aqui, mas os efeitos sentidos no Brasil e a forma de enfrentamento ainda são pouco ordenados e nada previsíveis. Por isso, um dos maiores desafios das lideranças será acompanhar a incerteza dos cenários e ter velocidade para fazer frente às necessidades de mudança ou adaptações do que foi planejado.

Para Clarissa Menezes, coordenadora de planejamento e gestão do Senac São Paulo, o acompanhamento do planejamento por parte dos gestores precisará ser realizado de modo menos convencional, especialmente no que se refere à periodicidade e à forma e, para isso, a tecnologia entra como um aliado potente, proporcionando análises feitas a partir de grandes bancos de dados e cruzamentos de informações que são realizadas em apenas um clique.

Outras recomendações fundamentais: “reuniões trimestrais de análise de resultado podem não ser úteis quando se precisa fazer uma virada estratégica importante. Talvez nem mesmo o controle mensal, que é prática comum, possa dar conta de orientar as revisões necessárias. O monitoramento precisará ser feito a cada dia, fazendo com que o mês seja uma consolidação do que já esperávamos ter como resultado”, explica a especialista.

Variações da economia x prioridades

No contexto econômico trazido pela pandemia no qual boa parte das empresas perdeu receitas e viu as suas margens achatarem, a prioridade deverá ser retomar os níveis de atividade e de lucratividade. As discussões giram em torno de onde investir para ter o retorno desejado, tanto na receita como na produtividade. Questionar e rever o valor gerado pelo produto para o cliente e a forma como eles são disponibilizados continuarão na pauta das discussões das lideranças.

Portanto, cresce a necessidade de desenvolvimento das lideranças e, por consequência, de suas equipes. O próprio perfil do líder acabou sendo modificado pelo contexto. Agora, dentre as características necessárias, estão a adaptabilidade sem receio de mudanças, o autoconhecimento, o espírito de equipe, a humildade para aceitar os próprios erros e os dos demais, habilidade de escuta e, principalmente, dar mais autonomia aos funcionários.

Segundo a coordenadora de planejamento e gestão do Senac São Paulo, sabe-se também que a retomada terá desafios, pois os mercados se reinventaram, o consumidor mudou e descobriu novos caminhos e critérios para adquirir produtos e serviços e, além disso, a concorrência também está lutando para manter o seu lugar.

Equacionar os gastos com folha de pagamento ainda é um dos principais desafios dos gestores, tendo em vista que a produtividade merece ainda mais atenção, nesse contexto. Porém, “ser mais produtivo passa, necessariamente, pelas pessoas. É preciso ter em mente que os funcionários também estão passando por perdas e crises pessoais. Por isso, é importante que as lideranças estejam atentas para estabelecer uma relação na qual todos se sintam ganhando em suas trocas”, finaliza Clarissa Menezes.


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