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RH: Transformação digital não é só fazer videoconferência

Gestores precisam reestruturar processos e movimentar a cultura empresarial com essa mentalidade

Transformação digital não é aprender usar o Zoom em tempos de pandemia. Muitos acham que, só porque foram obrigados a usar videoconferência e trabalhar de forma remota, digitalizaram a empresa em tempo recorde. Ledo engano. Na verdade, percebo que isso mostra o quanto há atraso quando falamos de uma real mudança nesse sentido.

A realidade é que a tecnologia é um caminho sem volta, e negócios que não se adaptarem a essa necessidade vão sofrer. Por outro lado, ganham muito aqueles que percebem que, no fim das contas, estamos falando sobre usar o poder da informação em favor do cliente. O principal objetivo da transformação é como utilizar, de forma simples, a tecnologia para resolver os problemas dos clientes. A transformação precisa ser centrada nos clientes, não nos problemas da própria empresa.

Sabemos quem quanto menos digital é o negócio da empresa, mais impactante pode ser a transformação. Mas empresas não digitais têm nas mãos uma grande oportunidade de agregar tecnologia e informação ao portfólio. Em uma rápida busca sobre “transformação digital”, encontramos muitas notícias sobre como negócios estão revolucionando seus resultados porque adotaram uma essência verdadeiramente digital. Isso no varejo, na indústria, nos bancos, na construção civil, no setor imobiliário, alimentício, onde mais pudermos sonhar.

Ou seja, transformar não é só criar um canal a mais de marketing digital e, sim, fazer com que todo o processo seja alinhado pela tecnologia e pela informação. Um setor que vem se transformando é o imobiliário, e a pandemia acelerou esse processo. Vimos isso no lado comercial, sem a possibilidade do contato presencial, com toda a gestão do marketing digital para atrair o cliente e as soluções bem feitas de realidade virtual para visitas de imóveis a distância.

O setor de imóveis também apostou em alternativas digitais para o processo burocrático de compra, com aplicativos de simulações, validações de crédito, plataformas digitais de busca de documentos e assinaturas em cartórios, entre outros. Na construção civil, minha área de atuação, posso falar também de algumas transformações digitais. A questão é que, por mais que seja um negócio de milhares de anos, de cimento, areia e água, a tecnologia pode transformar e resolver problemas dos clientes.

Um dado da International Data Corporation, citado pela Serasa Experian, afirma que 70% das empresas listadas no Fortune 500 montaram times dedicados à transformação digital. Ou seja, para digitalizar, a mudança precisa ser na mentalidade geral. 

Para transformar negócios tradicionais com o uso da tecnologia, e os dados gerados com a ajuda dela, não é possível sem liderança, gestão de pessoas e posicionamento. Treinar pessoas para se adaptarem ao novo cenário e reforçar suas características mais humanas – soft skills – é o caminho da integração com os dados, os recursos tecnológicos.

Enquanto a máquina assume o papel de reunir informações preciosas sobre o que irá gerar resultados, são os humanos que têm o poder de tomada de decisão, procura de soluções e criatividade. Uma coisa não substitui a outra! Entendo o medo que muitos têm da tecnologia, pois mudanças geram resistência. Por isso, para digitalizar, gestores precisam reestruturar processos e movimentar a cultura empresarial com essa mentalidade.

Mudanças têm de ser com foco nos problemas de todas as partes envolvidas. É como falei: fazer melhor, mais barato, mais rápido e com impacto mais positivo na sociedade e meio ambiente, focado em problemas reais do cliente. 

 

Por Marcelo Miranda, CEO da Consolys Tecnyconta e Conselheiro ABRH

 


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