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Saúde emocional no trabalho: gestores também precisam ser ouvidos

O desenvolvimento desses gestores inclui prepará-los para apoiar as questões emocionais dos membros de suas equipes, além de aprender a ouvir de forma genuína e acolher os colaboradores

A principal fragilidade dos gestores dentro das empresas é não falar de emoções. Aliás, eles veem isso como algo negativo. Como cobram-se muito e não se permitem errar, eles acreditam que expor vulnerabilidades pode passar a imagem de um “gestor fraco”. A consequência disso é a dificuldade de expressar seus sentimentos e se abrir com as pessoas, o que pode virar uma “bomba relógio”, pois, por guardarem para si suas angústias, podem adoecer física e emocionalmente.

“Pecamos” em ver os gestores como um super heróis, uma vez que eles são os responsáveis por coordenar todo o processo, gerenciando as equipes e estão sempre focados em atingir objetivos. Infelizmente, essa é a realidade em grande parte das empresas e se agravou com a pandemia.

Conseguimos resultados por meio das pessoas, por isso o estado de espírito de cada uma é essencial para o bom andamento do trabalho. Costumo pensar que um gestor tem que ser uma espécie de psicólogo para sua equipe, mesmo sem formação para isso. Mas como ser um “psicólogo” para minha equipe, se muitas vezes, eu, enquanto gestor, não estou com minha saúde psicológica em dia? A pandemia deu esse “tapa na cara” do nosso RH.

Uma pesquisa de Qualidade de Vida realizada com os colaboradores em home office nos mostrou que nossos gestores não estavam preparados emocionalmente para a situação que vivíamos. Também estavam inseguros, com medo e sem saber como apoiar a equipe. O resultado deixou ainda mais claro que desenvolver gestores não é somente ensinar técnica, normas, coordenação, mas uma oportunidade de auxiliá-los com suas emoções. Além de incentivar que compartilhem suas dores e mostrem suas fragilidades, precisamos dar o apoio necessário para que aceitem a ideia de que não são super heróis e que tudo bem sentir tristeza, raiva e insegurança.

O desenvolvimento desses gestores inclui prepará-los para apoiar as questões emocionais dos membros de suas equipes, além de aprender a ouvir de forma genuína e acolher os colaboradores. Por isso, é muito importante ter um olhar mais humanizado para estes profissionais.  O que parece ser tão óbvio e que deveria ser um valor para as empresas nem sempre está tão claro assim.

O ideal é mostrar para o gestor que ele é importante e que seus sentimentos também. Que ele merece ser ouvido, que pode falar e expor suas vulnerabilidades, compartilhar as próprias dificuldades com as pessoas, sendo elas de sua equipe ou outros gestores. Ou seja, ter a liberdade em dividir a dor. Isso promove acolhimento, desperta empatia e acalma o coração de quem está angustiado dentro da empresa. O líder precisa ser ouvido, saber que não é o único que passa por certas situações e ter a certeza de que ele não precisa aguentar tudo. Entender que todos têm seus limites e suas frustrações, mas também suas forças, talentos e conquistas.

Quando a empresa abraça esta causa e vê o valor dela, o gestor consegue trabalhar com mais tranquilidade, com menos pressão nele mesmo e com mais qualidade em seus relacionamentos. Essa iniciativa dá a ele a oportunidade de se autoconhecer, se abrir para conhecer o outro e respeitar as necessidades e sentimentos de cada um de seus subordinados. É um jogo de ganha-ganha.

Para melhorar a saúde emocional dos gestores, criamos na Special Dog Company os Quadrados de Conversa. O projeto surgiu a partir da pesquisa de Qualidade de Vida que mencionei anteriormente, que foi aplicada nos colaboradores que estavam em home office.

Os resultados nos trouxeram algumas informações importantes, dentre elas a de que os gestores precisavam de mais apoio e não estavam sabendo lidar com a situação da pandemia e cuidados com os colaboradores. Foi assim quando nossa coordenadora de RH, Karine Turcato, pensou em criar um programa diferente, que não fosse um treinamento em sala de aula, mas um momento de falar de sentimentos, compartilhar dores, mostrar as fragilidades e vulnerabilidades e que proporcionasse o mais importante: os profissionais saberem que não estão sozinhos.

O programa foi muito importante, pois serviu para unir e, por que não dizer, “construir laços”? Aproximou os gestores e mostrou que nenhum é super herói e nem precisa ser, que um pode contar com o outro. Ao “cuidarem de quem cuida”, de quem tem que ser e receber apoio e, principalmente, dar o exemplo, as empresas só têm a ganhar.
Por Fabia Carvalho, Gerente de RH da Special Dog Company


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