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Saúde financeira: já vi pessoas perderem o sono, o casamento e até o emprego

Como e por que as empresas deveriam olhar para este ponto

Eu não sei se você já ficou devendo a fatura do cartão de crédito ou se você se enrolou com alguma dívida. Eu também não sei como você reagiu ao fato de estar endividado nem como este cenário afetou a sua saúde (mental e física), sua qualidade de vida e seus relacionamentos. O que eu sei é que a maioria das pessoas que eu conheço e que fazem parte da estatística dos inadimplentes possui algum comportamento prejudicial para si e/ou para os outros.

Já vi pessoas perderem o sono, o casamento e até o emprego. Enquanto umas desabafam com amigos, pegam empréstimo com familiares e desenvolvem ansiedade; outras ficam caladas, buscam resolver e negociar o débito, mas se deparam com as taxas de juros alarmantes disponíveis no mercado, o que chamamos de crédito tóxico aqui na Creditas. Aí, a bola de neve só aumenta. Afinal, mesmo após os seguidos cortes na Selic, o Brasil continua no ranking das maiores taxas de juros do mundo, ocupando atualmente o 8º lugar, atrás apenas de Argentina, México, Indonésia, Índia, Turquia, Rússia e Malásia.

As estatísticas comprovam o impacto negativo que as dívidas causam nas pessoas: um levantamento feito por John Gathergood, da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, analisou a saúde mental e financeira de aproximadamente 10 mil pessoas e chegou a conclusão que: pessoas que devem sentem um aumento de constrangimento diante de colegas, desenvolvem fobias e insônia, o que reduz sua capacidade social e de concentração. A análise foi feita em 2012, mas não podia ser mais atual.

Agora, imagine você, CEO, fundador, CFO, profissional de Recursos Humanos: quantos colaboradores da sua empresa estão endividados? Quantos deles estão rendendo menos no trabalho por conta dos juros do rotativo do cartão que contribuem para o crescimento daquela dívida que já foi pequena?

Hoje, se fala muito em ter um ambiente que cuide do bem-estar do funcionário. Eu concordo. Passamos a maior parte do dia no escritório, e o ambiente de trabalho que construímos reflete diretamente na produtividade dos colaboradores. Mas ainda se fala muito pouco em cuidar da saúde financeira do colaborador. Segundo a Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), 84% dos trabalhadores entrevistados em uma pesquisa sobre inadimplência enfrentam dificuldades quando o assunto é dinheiro e sofrem prejuízos por não entenderem de finanças.

Um profissional que rende pouco e está com o emocional debilitado, muitas vezes, se torna desinteressante para a empresa. Mas e aí, o que fazemos? Descartamos? Claro que não. Neste momento também é papel da empresa buscar soluções que auxiliem nos problemas dos colaboradores.

Frutas à vontade disponíveis no escritório, parceria com academias, plano de saúde, espaço para melhorar a concentração, entre outros benefícios, fazem parte do pacote oferecido pelas empresas, o que já é incrível quando se fala em bem-estar. Mas o que é oferecido para ajudar no bolso do colaborador?

O brasileiro tem fácil acesso às piores taxas de juros. Ao crédito tóxico, como mencionei no início deste artigo. Por que não facilitar o acesso do colaborador a um crédito barato, que o ajude a organizar suas finanças, a realizar a viagem dos sonhos, reformar a casa, estudar? Ou por que não disponibilizar cursos de educação financeira para todos os funcionários?

Ter opções de empréstimo consignado para funcionários na empresa e consultorias de educação financeira podem ajudar a aumentar a produtividade do colaborador.

Imagine que um colaborador seu está com uma dívida que não para de crescer a um juros de 300% ao ano, está com medo de não conseguir quitar, e você, como empresa, oferece para ele um curso de educação financeira e também conta que a empresa tem parceria com instituições que oferecem benefício do crédito consignado. Ele pede o empréstimo e, com a ajuda do consultor financeiro, quita a dívida, e consegue respirar aliviado.

A partir daí, o seu foco não está mais nas dívidas, na ansiedade de resolvê-las. O foco estará em escalar ainda mais o negócio com novas ideias. Imagine um cenário diferente também: sua colaboradora tem o sonho de conhecer a Inglaterra, mas não tem dinheiro suficiente para bancar as férias em libra. Aí, ela usa o benefício da sua empresa e volta de viagem com fotos incríveis na Tower Bridge.

É preciso olhar para o bolso do colaborador: ele está diretamente relacionado à saúde mental e física e à sua produtividade. Ou seja, antes de decidir quais são os melhores benefícios para oferecer aos colaboradores, é preciso pensar que eles deveriam ir além do Vale Transporte e do Vale Refeição. Benefícios deveriam influenciar diretamente e positivamente na evolução, na saúde e na vida financeira de cada um.

Por Fabio Zveibil, VP de Desenvolvimento de Negócios da Creditas

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