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Sete passos para o RH do futuro

O valor de cada profissional e da organização como um todo depende do seu impacto cultural, ambiental, social e financeiro

Sete passos para o RH do futuro

Existem momentos históricos que são de transição de modelos, por exemplo o período em que passamos de monarquia à república e de monopólios à base de escravos para uma economia industrial. Atravessamos agora uma destas transições, a maior da história. Tanto a transição quanto sua intensidade e rapidez são consequências de estarmos em rede: tudo conectado com tudo, e fora do tempo e do espaço. Tive consciência disso quando minha filha estudava no Japão: eu ligava e ela atendia no ato (18.550 KM!) e o mais estranho, atendia amanhã! No Brasil era uma segunda e lá já era terça feira…

Operar fora do tempo e do espaço + desmaterialização + tudo conectado com tudo = ritmo exponencial. E é aí que o bicho pega: nunca mais você vai conseguir responder a todas as mensagens, estar atualizado com todas as notícias, zerar sua lista de coisas a fazer. Nunca mais poderemos extrair recursos naturais sem ponderar sobre as consequências. Nunca mais poderemos nos dar ao luxo de perder tempo ou de não preparar nosso corpo e saúde para dar conta do ritmo acelerado do exponencial.

Esse é o desafio. Nós, o planeta e o tempo somos lineares. Para nós, 5 e 5 somam 10. A rede é exponencial. Nela, 5 e 5 dá 3.125 (55). Como fazer com que a conta feche? A resposta completa está em meu novo livro Novas Economias Viabilizando Futuros Desejáveis, mas preparei um passo a passo especial para quem atua na área de RH.

Passo 1: Preparar-se para o exponencial. A chave para lidar com o exponencial está no “fazer junto”, na capacidade de convergir. E isso depende de duas coisas. A primeira é a tecnologia, que já está presente na sua vida, talvez até demais. A segunda é a colaboração, algo que parece simples, mas não é. Prepare as pessoas para usarem a tecnologia, e não serem usadas por ela. E para desaprender a competição, a desconfiança e o “cada um por si”, senão não haverá colaboração.

Passo 2. Alfabetização de Futuros. A informação produzida no mundo dobrou entre 100 AC e 1700 DC e foi acelerando exponencialmente. Se dobrou entre 1970 e 1980, hoje dobra em um ano e com a internet das coisas vai dobrar a cada 12 horas. Ou seja: antes o futuro demorava séculos para chegar, mas agora chega em anos. Porém, a maioria segue se orientando apenas pelo passado – seja na educação ou na gestão. Somos analfabetos em futuro. Inclua estudos de futuro no cotidiano de sua equipe e de seu negócio. Na Fluxonomia a abordagem é criativa: equipes criam seu futuro desejável pessoal e organizacional. E os pontos em comum revelam a visão de futuro compartilhada por todos – que é a melhor bússola para que a empresa decida para onde e como quer ir.

Passo 3: Foque no valor intangível. Aqui vamos buscar solução na Economia Criativa, estratégica para o futuro pois gera valor a partir de conhecimento, criatividade, valores humanos e talento. Estes são recursos exponenciais pois não se consomem, mas se multiplicam com o uso! Quanto mais usa, mais tem. Para ter mais valor, garanta que os diferenciais de sua empresa e de cada pessoa estejam claros. Que os talentos sejam conhecidos e postos em uso. E que tudo isso seja comunicado.

Passo 4: Do possuir ao usar. O compartilhamento de espaço, equipamentos e insumos já está em nosso cotidiano. Mas pode estar mais presente na empresa: pense duas vezes antes de investir em espaço e infraestrutura. Inspire-se nas cervejas artesanais que tem hoje muita força, em parte pelo fato de não montarem indústrias próprias: usam tempo ocioso das grandes indústrias ou se juntam para criar uma planta comum. Uma dica de algo que sempre fazemos com nossos clientes: mapear e dar “match” entre tudo aquilo que os colaboradores podem permutar. Além de gerar abundância é uma maravilha para vínculos de confiança.

Passo 5:Simplifique processos. Burocracia custa caro demais em tempo, recursos, pessoas e entusiasmo! Um dos grandes desafios que enfrentamos nesta transição é desburocratizar e criar parâmetros para que cada colaborador esteja mais apto a cogestão. É também a maior oportunidade: nossas práticas revelam índices de otimização que variam de 15 a 3000%. Alguns clientes conseguem triplicar tudo (engajamento, visibilidade, resultados) apenas repensando seus processos. Prepare equipes para trabalhar remotamente; co-criar critérios para tomada de decisão; não confundir o operacional com o estratégico e priorizar a ação em coletivos e hubs.

Passo 6: Diferencie receita de valor. Ter como única métrica de resultados a receita (o monetário e quantitativo) é como tentar prever o clima medindo o tamanho das nuvens. Clima depende da dinâmica de interações entre diferentes fatores. Seu negócio também. O valor de cada profissional e da organização como um todo depende do seu impacto cultural, ambiental, social e, lógico, financeiro. Se ele é positivo você – profissional ou empresa – terá crédito no sentido mais amplo da palavra. A Fluxonomia 4D te mostra uma maneira simples de perceber resultados positivos. Para cada ação, produto, ou serviço, pergunte: “Isso otimiza e gera mais conhecimento, criatividade, valores humanos (cultural)?”; “Otimiza e gera mais recursos naturais ou tecnológicos (ambiental)?”; “Otimiza e gera mais conexão e ação conjunta (social)?”; “Otimiza e gera mais tempo e qualidade de vida (financeiro)?”

Passo 7: convergência gera potência. Se você trabalhou com os passos anteriores está apto, como profissional ou como organização, para aquilo que foi nosso ponto de partida: fazer junto. Saberá como combinar tecnologia e colaboração e assim aproveitar o exponencial. Imagine que a transição é uma onda: use- a para surfar e chegar a algum ponto melhor. Aja rápido, busque metodologias e ferramentas adequadas ao século XXI (como a nossa, claro 😉) e assim você não vai levar um caldo e dar com a cara na areia.

O resultado destes nossos sete passos é que você e sua empresa serão relevantes, terão valor e longevidade garantidos.

E sabe por que quis muito te contar isso? Pois nessa transição o RH terá um papel cada vez mais central e estratégico, desde que se reinvente em alguns pontos. Quais? Fica para uma próxima conversa…

Por Lala Deheinzelin, Futurista e Especialista em Novas Economias e criadora da Fluxonomia  4D

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