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Startup de tecnologia contrata gestante e tem programa institucional de incentivo à equidade de gênero

Ações apontam para tendência mundial de protagonismo feminino no mercado de trabalho, especialmente no setor de inovação

No final de 2018, a analista de Recursos Humanos Karimme Santos participava de processos seletivos para uma vaga de emprego quando descobriu que estava grávida. Imediatamente avisou aos recrutadores e as respostas foram categóricas: ela não seria aceita. “Cheguei a passar em uma das seleções, mas quando avisei sobre a gravidez, desistiram na hora”, conta. Na contramão das outras empresas, a startup de tecnologia Laura, responsável pelo primeiro robô gerenciador de riscos do mundo, apostou no talento de Karimme. Grávida de quatro meses, a profissional não só foi contratada, como vai gerenciar um programa institucional de incentivo à participação feminina.

“A Karimme ligou para nossa equipe avisando que desistiria do processo seletivo porque estava grávida e sabia que não teria chances de concorrer ao cargo de analista de RH. Nós fizemos questão de incentivá-la a continuar. Por ser uma empresa com o propósito de salvar vidas, não faria sentido para a Laura recusar uma candidata pelo simples fato de estar gerando uma vida. Em nenhum momento tratamos a condição dela como um problema, apenas avaliamos suas competências. Ela atendeu todos os requisitos, demonstrou paixão pelo projeto e se destacou nas dinâmicas em grupo. Por isso chegou ao final da seleção e acabou entrando para o nosso time”, afirma a analista administrativo financeiro da Laura, Andressa Zambiassi, uma das responsáveis pela contratação.

A chegada da futura mamãe ganhou repercussão nas redes sociais. “Fiquei muito feliz quando recebi o retorno positivo porque estava concorrendo com outras cinco ótimas candidatas”, diz Karimme. “O fato de estar grávida não deve ser considerado um fator de limitação. Essa mentalidade ainda é muito presente no mercado de trabalho, mas espero que a atitude na Laura sirva de exemplo para empresas de todo o país. As mulheres devem ser avaliadas pela competência, independentemente de estarem grávidas ou já terem filhos. É uma questão de igualdade de gênero”, completa .

Lei de Maya

Para fortalecer ainda mais a participação ativa de mulheres na empresa, o fundador Jacson Fressatto criou o programa batizado Lei de Maya, que será conduzido pela nova analista de Recursos Humanos e prevê que a equipe seja composta por 50% de funcionárias mulheres.

Maya é o nome da  filha mais nova do arquiteto de sistemas. No que depender do pai, a pequena vai crescer em uma sociedade na qual homens e mulheres tenham igualdade em oportunidades e salários no mercado de trabalho. “Como pai de meninas, considero que estou fazendo apenas a minha obrigação”, afirma.

Mulheres na Tecnologia

A questão da representatividade feminina no setor de tecnologia tem despertado atenção no mundo todo. Na última semana, a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou que o tema global do Dia Internacional da Mulher 2019 será tecnologia e inovação. De acordo com entidade, as mulheres são apenas 25% da força de trabalho da indústria digital no mundo. Mudar esse cenário tem sido mais uma das causas defendidas na Laura. Estudante de Engenharia Eletrônica e desenvolvedora web, Patrícia Victor trabalha na startup há cerca de dois anos e está acompanhando de perto as inovações. “Na área de tecnologia, em geral, as mulheres precisam se esforçar muito mais para obter reconhecimento e ganhar voz, por isso acho muito legal essa iniciativa da Laura. É um grande exemplo para esse e outros setores do mercado, uma quebra de paradigmas. Não vemos isso em qualquer lugar”, diz Patrícia.

 

 

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