Startups e a diversidade no ambiente de trabalho

GetNinjas, 99 e EduK criam ações de incentivo à inclusão da diversidade

A realidade brasileira sobre a inclusão e equidade no âmbito corporativo ainda deixa a desejar. De acordo com o Instituto Center for Talent Innovation, 61% dos LGBT’s brasileiros escondem seu gênero ou sexualidade no trabalho, já em relação ao recorte por etnia, segundo o Instituto de Pesquisa Locomotiva, negros com curso superior ganham, em média, 29% a menos que brancos na mesma posição. E as desigualdades por gênero também se destacam, mulheres com o mesmo nível universitário que homens têm uma diferença de 47,4% no salário, conforme levantamento da Fundação Getúlio Vargas.

Com o intuito de trazer essas reflexões para dentro das empresas, projetos foram criados para conversar com o público interno e prepará-los para compreenderem melhor essas questões e estarem prontos para lidar com a mudança dessa realidade no mercado.

A startup para contratação de serviços GetNinjas iniciou em junho deste ano o projeto Gente Ninja, que brinca com o nome da empresa para representar o foco humano de suas ações. A proposta principal do projeto é abordar a diversidade sob vários âmbitos, sem a obrigação de fazer com que a equipe de funcionários cheguem a um senso comum. “O objetivo ao fomentar o debate, fazer dinâmicas, exibir vídeos explicativos e, até mesmo, trazer convidados para fazer circular o conhecimento é para que os funcionários voltem para casa com menos certezas e mais reflexões, menos preconceitos e mais abertura à inclusão das diferenças no ambiente de trabalho”, explica Josiane Lima, diretora de Recursos Humanos.

O grupo, que é formado por funcionários de diversas áreas da empresa, organiza encontros bimestrais internos para, de forma didática, trazer informações sobre diversos temas e propor um debate entre a equipe. Os temas já abordados nesta primeira etapa foram: Padrão Estético, Machismo e Gênero e Orientação Sexual. Outra ação realizada pelo projeto foi o Censo Ninja, uma pesquisa entre os mais de 100 funcionários que apresentou um mapeamento da diversidade existente na empresa, no que se diz respeito às regiões, raças, idades, crenças, graus de escolaridade, orientações sexuais, classes sociais e gêneros.

Na 99, recém-adquirida pela chinesa Didi Chuxing, o foco do grupo de diversidade 99 Cores é o público LGBT. Criado no final de 2016, o objetivo principal do projeto é garantir uma experiência mais inclusiva e agradável entre passageiros, motoristas e colaboradores. Entre os métodos utilizados pelo grupo para reforçar essa educação de gênero e orientação sexual está a criação da Cartilha 99 Cores, elaborada em conjunto com a organização Todxs, afim de apresentar dados históricos e orientações de como lidar com a diversidade sem discriminação.

Em junho de 2017, a 99 realizou o evento LGBT: Vamos Falar Sobre? em que propôs o debate e reflexão sobre as consequências da exclusão com a presença de convidados para agregar nas discussões. Outras ações de engajamento também foram organizadas, como a distribuição de adesivos da 99 personalizados com a temática LGBT para os funcionários que contribuem com as atividades do grupo. Já em dezembro, foi realizado o primeiro Bazar, em que todo o dinheiro arrecadado foi revertido para a Casa 1, centro de cultura e acolhimento de LGBTs, localizado no bairro da Saúde em São Paulo/SP.

O comitê da 99, composto por colaboradores de diferentes áreas, reúne-se semanalmente para dar encaminhamento de novas ações, reunindo diferentes saberes e expertises, sendo que mesmo quem não é LGBT também é bem-vindo.

Já na eduK, plataforma online de cursos profissionalizantes, desde setembro de 2016 existe o grupo Guardiões da Consciência, criado por iniciativa dos próprios funcionários engajados com a pauta da diversidade. O principal propósito é garantir que, tanto as relações entre os funcionários quanto os conteúdos produzidos pela eduK, reflitam a valorização e o respeito pelas singularidades humanas, gerando conhecimento e educando de dentro para fora da empresa.

De encontros para debater assuntos como meritocracia, privilégios, consciência negra e feminismo, resultaram ações como a “Política de Não Discriminação eduK”, com o intuito de assegurar que todo o público envolvido com a empresa concorde em proteger o posicionamento institucional, colaborando para a inclusão e o respeito entre todas as pessoas, independentemente de qualquer diferença, seja ela social, física ou cultural. Além de iniciativas como o “Pílulas de Conscientização”, em que ocorre a propagação de frases com depoimentos de vida de funcionários com o objetivo de conscientizar sobre a discriminação e incentivar a procura do grupo em casos críticos.