Terceirização possibilita contratação para atividades-fim nos negócios

Empresas devem estar atentas à fiscalização e controle nas áreas da saúde e da segurança no trabalho

A discussão sobre a terceirização é comum nos âmbitos políticos e empresariais, e isso foi intensificado após a aprovação do Supremo Tribunal Federal (STF) para a contratação de trabalhadores para atividades-fim nos negócios. Mas as organizações devem estar atentas à garantia da saúde e segurança do trabalho, pois terceirizados se acidentam 60% mais que os colaboradores empregados diretamente, como apontam dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Diante desse cenário, as empresas que pretendem contratar terceirizadas precisam estabelecer padrões específicos relacionados à saúde e segurança dos colaboradores, além de estabelecerem controles e fiscalizações rígidos para a garantia do bem-estar, condição extremamente relacionada à produtividade de qualquer negócio.

Um relatório apresentado durante a conferência na Associação Brasileira de Empresas de Saúde e Segurança no Trabalho (ABRESST) indica que, só em 2017, os casos de acidentes do trabalho ultrapassaram a marca de 294 mil, em São Paulo. Com a liberação pelo STF, as possibilidades para contratação de mão-de-obra terceirizada foram ampliadas para todos os setores. Para se ter uma ideia do tamanho da abertura de mercado proporcionada por essa mudança, somente no estado de São Paulo, 49,5% do total das empresas de terceirização encontram-se situadas no setor de Serviços Auxiliares de Atividades Econômicas, seguidas de 7,4% no setor de Limpeza e Conservação e de 6,1% na área de Administração e Locação de Imóveis, como apontam os dados do SINDEEPRES.

Para Eduardo Belarmino, engenheiro de Segurança do Trabalho da Seg – empresa especializada em Saúde Ocupacional Integrada, o colaborador ao ser contratado como terceiro precisa realizar uma leitura mais atenta das cláusulas contratuais, a fim de verificar a equiparação dos benefícios oferecidos, porém também é dever da empresa estar atenta às condições de trabalho relacionadas à saúde e segurança dos funcionários, oferecendo um ambiente igualitário, e apresentando capacidade técnica de fiscalização dos serviços fornecidos. “A empresa contratante deve manter uma integração dos colaboradores, independente da terceirização. É importante que o departamento de Recursos Humanos e o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) realizem a inclusão e implantação de ações ligadas à saúde e segurança desses empregados“, explica Belarmino. De acordo com o especialista, as empresas brasileiras perdem mais de 3.800 profissionais por mês porque não fiscalizam corretamente o ambiente de trabalho.

“As organizações precisam entender que a aprovação da terceirização é uma solução para a diminuição de cargos informais, que gera maiores oportunidades para as pessoas, mas as empresas devem garantir uma saúde monitorada, com programas de controle que estimulam os funcionários e ainda transformam a rentabilidade do negócio”, explica Rosana Marques, CEO da empresa de saúde ocupacional.