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Trio de sucesso: diversidade, conexão e empatia

Enxergar além do próprio umbigo, abertura para escutar de coração aberto, construir e sentir com o outro

O que é empatia? Trabalho como consultor em processos de transformação nas organizações e a palavra empatia tem sido citada nas conversas de trabalho, seja nos desafios com times ou quando a pauta é diversidade. Mas o que de fato significa ter empatia por alguém?

Tenho lido e descoberto novas formas de observar essa questão. Curioso, no ano passado, lancei uma pergunta despretensiosa para minha rede no Facebook: “Como você definiria empatia?”. Surpreendentemente, esse foi talvez um dos meus posts mais comentados na época! Interessante como as definições das pessoas ultrapassaram os significados usuais em dicionários.

O pessoal me contou que a palavra tem a ver com atenção e sensibilidade. Enxergar além do próprio umbigo, abertura para escutar de coração aberto, construir e sentir com o outro, legitimando-o. Me surpreendi também com interpretações inspiradoras como, por exemplo, a capacidade de se silenciar, reconhecer em si um sentimento semelhante e fluir na mesma vibe. Por fim também li uma simples e irreverente definição: “alto nível de gente finismo”.

Depois dessa breve enquete, conclui que a empatia é uma ponte para muitos assuntos. Penso que, ao cuidarmos da forma como conversamos, passamos a demonstrar interesse genuíno por compreender e incluir perspectivas distintas, incentivando e acolhendo a diversidade.

Conexão é outra palavra que representa uma atitude essencial para gerar engajamento. Trabalhando recentemente o tema de diversidade com uma rede de parceiros(as), propus um exercício onde pessoas dos mais variados estilos compartilhassem histórias de preconceitos que haviam sofrido em algum momento da vida.

Cada pessoa teve a oportunidade de contar e escutar histórias. Ao final, nos surpreendemos com a percepção de que, independente de características individuais e específicas, é possível compreender e se conectar com o outro. Um detalhe importante é que, antes da troca, preparamos o campo, silenciamos e nos centramos, criando um contexto sereno e de confiança, que possibilitou e convidou o grupo a um espaço de segurança psicológica, onde a vulnerabilidade emerge naturalmente. Penso que assim vai se criando um caminho para inclusão e acolhimento da diversidade nas empresas.

Venho percebendo que as empresas devem ter sua cultura histórica respeitada e honrada, ao mesmo tempo em que sinto que é importante atentar para entraves e vícios que impedem a empatia entre as pessoas.

A DiversityInc (EUA) aponta as melhores práticas de grandes empresas em Inclusão e Diversidade. Trata-se de um grupo seleto que tem acumulado experiência ao longo da última década em iniciativas que reconhecem as diversas vozes de seus colaboradores, distanciando-se da abordagem “one size fits all”.

Para eles, algumas práticas que fluem com sucesso na cultura organizacional das empresas são:

  • Espaços de diálogo com moderação para evitar polarizações e debates
  • Grupos focais para conversar sobre questões delicadas de I&D
  • Mentoring para todos os níveis da organização: escuta e orientação
  • Monitoramento de pipeline de candidatos de diferentes experiências e estilos
  • Diferentes horários e condições de trabalho, considerando as várias necessidades das pessoas

Nas minhas caminhadas pelas empresas, percebo que algumas simplesmente não tem preocupação com o tema – não se fala sobre isso e ponto. Em outras, o movimento de evolução cultural já se iniciou com discussões gerais e um foco inaugural em perseguir algumas métricas para equilibrar a diversidade do quadro de colaboradores (exs.: mulheres no time executivo, pessoas negras, LGBTs, PcDs, etc.).

Em geral, os ambientes mais inclusivos e diversos são mais respeitosos em todos os sentidos. As pessoas dialogam para poder gerar um consentimento e garantir que as partes estejam mais confortáveis com as decisões. As empresas mais conectadas com o tema diversidade, tem na sua cultura uma preocupação de evitar alguns termos e expressões que denotam preconceito. Nessas empresas, é facilmente percebido um equilíbrio maior de gêneros nas posições gerenciais, encontram-se ambientes preparados para receber PcDs e há um discurso mais claro sobre não tolerar alguns comportamentos desrespeitosos em relação a preconceitos de raças, orientação sexual e assim por diante.

Já as empresas com culturas menos inclusivas são aquelas aonde se evitam conflitos e se acumulam conversas difíceis, pois energeticamente operam no modo “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Pouco se dialoga e tampouco se vive a diversidade. Incômodos, ressentimentos e polarizações de todo tipo ocorrem frequentemente.

E no seu caso? A empresa em que você trabalha está em qual momento? Talvez o texto te inspire a conversar com outras pessoas. E quem sabe isso não marca o início de uma era de transformação para vocês?


Por Marcelo Ribeiro dos Santos –  sócio da Corall e coach ontológico. Em 17 anos, passou por empresas como Unisys, Becton Dickinson, Zurich Seguros e UBS. Como consultor, atua com treinamento e desenvolvimento de soluções em parceria com clientes de diversos mercados, acompanhando indivíduos e grupos em seus processos de transformação.

 

 

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