Um guia de sustentabilidade para RHs que querem ser protagonistas no tema

Um RH empoderado será especialmente útil na solução de alguns desafios importantes de sustentabilidade empresarial

Na sua empresa, sustentabilidade está na estratégia ou apenas oferece guarda-chuva para alguns projetos socioambientais pontuais? E a área de Recursos Humanos? É protagonista ou coadjuvante na “sustentabilização” dos negócios? Antes de seguir nesse texto, adianto que escrevi para a ABRH-Brasil o Guia Sustentabilidade para RH: 10 Desafios, que, de alguma forma, poderá lhe ser útil. Para acessar: www.ideiasustentavel.com.br/guia-sustentabilidade-para-rh/

Trabalho há 20 anos com a implantação de sustentabilidade na gestão, na estratégia e na cultura de negócios. Já vi e ouvi, portanto, de tudo, tendo participado ativamente de processos internos demandados pelos três C’s que costumam motivar a adoção de sustentabilidade nas empresas – convicção, conveniência e constrangimento.

Minha experiência mostra que, na condução desse tema, com raríssimas exceções, o profissional de RH segue sendo um parceiro interno pouco prestigiado, mero observador ou, no máximo, executor obediente de ações pontuais de desenvolvimento. E isso ocorre, em grande medida, ou por que a sustentabilidade está compartimentalizada numa caixa sem interface com RH (mal do modelo cartesiano de organização dos cronogramas empresariais), ou porque nem a sustentabilidade nem a área de Recursos Humanos têm sido tratadas como vetores estratégicos, ou por absoluta falta de vontade mesmo.

Mas a boa notícia é que esta situação tem, pouco a pouco, começado a mudar. Com sinal mais claro nas chamadas empresas líderes.

E se sustentabilidade é, como se defende mais modernamente, um jeito novo de pensar e fazer negócios, com ética, transparência, responsabilidade, respeito ao outro, cuidado com o meio ambiente e geração de valor compartilhado para todos os stakeholders, como operacionalizá-la sem capital humano e intelectual valorizado, sem pessoas engajadas, sem o envolvimento estratégico da área responsável por gente numa organização?

Um RH empoderado será especialmente útil na solução de alguns desafios importantes de sustentabilidade empresarial, a começar pelo mais relevante deles: inserir o conceito e seus temas na estratégia, influenciando a visão, a missão e as metas de cada colaborador e, por consequência, o modelo de negócio.

Nesse esforço, a área deve se orientar por respostas a quatro questões-chave:

(1) Como os valores de sustentabilidade podem inspirar futuros líderes?

(2) O que a empresa ganha ao incentivar o desempenho associado com sustentabilidade?

(3) Quais as medidas e indicadores mais adequados para endereçar o sucesso de indivíduos e equipes que contribuem com sustentabilidade?

(4) Como encorajar os gestores a incorporarem desafios socioambientais em seus scorecards?

Para criar um ambiente organizacional receptivo à sustentabilidade, caberá a um RH mais atento integrar o conceito a um plano de incentivos, identificar/valorizar os intraempreendedores do tema e recompensar os colaboradores por meio de remuneração variável baseada em resultados focados no triple bottom line e não mais apenas no bottom line.

Será seu papel também prover o necessário desenvolvimento de competências (conhecimento, habilidades e atitudes) para a sustentabilidade, adotando programas de educação corporativa, ações on the job, iniciativas estruturadas de desenvolvimento de valores e de autodesenvolvimento e ainda instâncias de governança efetiva do tema, como os comitês interdepartamentais.

Assim como também será sua incumbência atrair e contratar jovens profissionais identificados com os valores da companhia à procura de oportunidades de fazer contribuições positivas para o mundo por meio do seu trabalho. É possível implantar uma cultura de sustentabilidade sem a participação ativa do RH? Penso que não. Não se sustentabilidade for para valer.

SERVIÇO

O que é: Guia Sustentabilidade para RH

Disponibilidade: Versão digital no portal Ideia Sustentável
(https://goo.gl/H7ADGB)

 

Por Ricardo Voltolini  – consultor master em sustentabilidade empresarial, board member, advisor, speaker e CEO da Ideia Sustentável: Estratégia e Inteligência em Sustentabilidade; idealizador da Plataforma Liderança Sustentável e autor, entre outros, de Conversas com Líderes Sustentáveis (Senac-SP), Escolas de Líderes Sustentáveis (Elsevier) e Sustentabilidade como Fonte de Inovação (Ideia Sustentável).