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Um leão por dia

Uma sociedade melhor se faz a partir da aceitação e do estímulo à diversidade

Um leão por dia

Os desafios que as pessoas com deficiência enfrentam diariamente são inúmeros. Isso inclui a entrada ou recolocação no mercado de trabalho e a satisfação com a atividade profissional desenvolvida. Logo, buscar soluções para esses entraves é um dever de todos, sobretudo para nós da Catho, que conectamos empresas e profissionais.

Por isso, desde 2016, visando contribuir para que esses profissionais ocupem vagas mais adequadas a seus perfis e qualificações, a Catho liberou o cadastro gratuito a todas as pessoas com deficiência ou reabilitadas do INSS que são abrangidas pela Lei de Cotas, permitindo, assim, que eles concorram às mais de 200 mil vagas disponíveis no site. Ou seja, não há pagamento de assinatura para as pessoas que se enquadrem nas condições acima. Essa atitude reflete a necessidade de estimular e apoiar a pessoa com deficiência no mercado de trabalho.

E por que apoiar? Primeiramente porque entendemos a importância da inclusão. Uma sociedade melhor se faz a partir da aceitação e do estímulo à diversidade. Acreditamos que a pessoa com deficiência, assim como todo profissional, tem direito a boas oportunidades e a um trabalho digno, que corresponda às suas expectativas. E, em segundo lugar, porque as dificuldades de um profissional com deficiência antecedem aquelas inerentes ao mercado de trabalho. Elas começam bem antes, por exemplo na ida à entrevista de emprego.

Em pesquisa recente conduzida pela Catho com mais de 3,2 mil pessoas com deficiência, a fim de se apresentarem a uma entrevista de emprego, 92% dos entrevistados recorreram às seguintes alternativas alternativas: ajuda de outra pessoa (48%); táxi (36,5%) e serviço de transporte público, como Atende + (5%). E foi essa mesma dependência que levou 37% dos profissionais a pedirem demissão do emprego. E, nesse caso, o transporte ineficiente e não adaptado foi o fator decisivo, com 56% das respostas.

Portanto, estamos diante do primeiro entrave para as pessoas com deficiência se inserirem no mercado de trabalho, a mobilidade. É aqui que a “peneira” já elimina centenas de profissionais competentes e ávidos por uma oportunidade. E isso vai além de um emprego. É ter de provar todo tempo que as limitações estão ligadas, eventualmente, à deficiência da pessoa e não à capacidade de executar um trabalho com competência. É o que chamamos de matar um leão por dia. No caso do profissional com deficiência é matar uma alcateia por dia.

Nesse quesito, não podemos esquecer da importância da criação da Lei de Cotas. Ainda que não seja o ideal, afinal, essa é o tipo da lei que é boa quando não precisa existir, no contexto brasileiro ela é essencial. Criada há 27 anos, trata-se ainda de um importante facilitador da entrada da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, além de ajudar na promoção de um mercado de trabalho inclusivo e mais justo. Por meio dela, as empresas com 100 ou mais colaboradores são obrigadas a preencherem de 2% a 5% de seus postos de trabalho com pessoas com deficiência ou beneficiários reabilitados.

A Lei é importante? Sim, fundamental. Só que ela por si só não basta. Sem uma conscientização geral, continuaremos a preencher vagas para cumprir uma determinação legislativa. E isso não basta. Cabe agora a nós – iniciativa privada – investirmos na mudança de cultura das organizações.

Cabe à sociedade de um modo geral entender a importância do respeito às diferenças e estimular a participação de todos no mercado de trabalho. Da nossa parte isso já é realidade. E se depender mais ainda de nós aqui da Catho, em um futuro breve esperamos que a inclusão seja mais uma realidade e menos um discurso baseado somente no cumprimento de uma Lei.

Por Murilo Cavellucci –  diretor de Gente e Gestão da Catho

 

 

 

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