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Urgente: precisa-se de oportunidade

Ressignificar é a palavra que se encaixa nesse processo, trazer um novo sentido e significado para o que representa ter uma pessoa com deficiência em uma empresa

Reivindicar é fazer uma solicitação acerca de algo que se possui por direito. Fazemos isso porque queremos tomar posse de alguma coisa que já é nossa, mas que em determinado momento não conseguimos usufruir. No universo que engloba o emprego, por vezes reivindicamos por melhores condições de trabalho: plano de carreira, salários justos, igualdade profissional entre homens e mulheres, dentre outros. Para quase 13 milhões de brasileiros com deficiência (dados IBGE), ainda é necessário reivindicar o básico, o acesso ao emprego.

Com objetivo de trazer luz a essa urgência, a Catho lançou a campanha “Minha Vaga Por Direito”, um manifesto em prol do reconhecimento desses profissionais e seu valor para o mercado de trabalho. A ação nasceu na mesma data em que é celebrado o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, em 3 de dezembro. Com a criação de um manifesto e adesivações de stencils espalhadas inicialmente pela cidade de São Paulo, o objetivo é claro: conscientização. Mais do que vagas de estacionamentos, filas preferenciais ou vagas em transportes públicos, o direito ao emprego também deve ser cumprido.

Em vigor desde 1991, a Lei de Cotas garante que empresas com cem ou mais colaboradores devem destinar de 2% a 5% dos cargos profissionais para pessoas com deficiência. Ainda assim, ser apenas parte da cota não é o anseio desses profissionais, o reconhecimento de suas capacidades é que os conduz na busca pelo emprego e inserção no mercado de trabalho. É o que comprova uma pesquisa realizada pela i.Social em parceria com a Catho, ABRH Brasil e ABRH SP com profissionais com deficiência. Dentre as características que determinam a sua desistência por um emprego, 52% afirmam que se sentem apenas parte da Cota.

Ressignificar é a palavra que se encaixa nesse processo, trazer um novo sentido e significado para o que representa ter uma pessoa com deficiência em uma empresa. É compreender as especificidades desses profissionais, suas necessidades. É reconhecer suas habilidades, competências e formações, e mais do que isso, enxergá-los com a credibilidade daqueles que atendem diversas atribuições exigidas pelo mercado. A oportunidade é uma emergência e a Catho reconhece isso. Possuímos um trabalho ativo com a inclusão e a diversidade, pois acreditamos que o ambiente de trabalho deve ser ocupado por todos os tipos de pessoa.

Desde 2016 concedemos gratuidade no acesso a todas as vagas do site para profissionais com deficiência e reabilitados pelo INSS, abrangidos pela lei de cotas, a partir de laudo médico devidamente validado. Viabilizamos esse verdadeiro “match” entre candidato e empresa, e mais do que isso, focamos em conscientizar tanto a marca empregadora quanto a sociedade, de modo geral, que competência nunca foi um problema para os profissionais com deficiência. Os impeditivos continuam sendo os mesmos: o preconceito e a falta de conhecimento.

Ainda assim, os avanços já são perceptíveis. Segundo os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho, em 2017, os empregos formais para pessoas com deficiência (PCD) somam quase meio milhão. Dentre os profissionais com deficiências física, auditiva, visual, intelectual, múltipla e reabilitados, a maior alta foi registrada para deficientes visuais, com crescimento de 16,3% em relação a 2016 (+8,7 mil novas vagas). Trabalhadores com deficiência intelectual (mental) tiveram 2,5 mil empregos a mais (+7,3%). Para pessoas com deficiência múltipla, o aumento foi de 5,1% (+370 postos). Nos casos de deficiência física, o número de vagas preenchidas subiu 4,1% (+8,3 mil), enquanto para deficiência auditiva o crescimento foi de 3,5% (+2,8 mil).

A Lei ajudou a promover a inclusão, mas ela sozinha não é suficiente. Desta forma, a “Minha Vaga Por Direito” tem um grande objetivo: massificar essa iniciativa, criando uma nova perspectiva para esses profissionais. A nossa contribuição é transformar esse movimento em algo que possa ser palpável, que gere frutos e mudanças consistentes. Nosso desejo é quebrar paradigmas, estimular a empatia e claro, oferecer ferramentas de inserção. Esse é o caminho para a inclusão e que gera, de fato, a oportunidade.

Por Murilo Cavellucci ,  diretor de Gente e Gestão da Catho

 

 

 

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